Caminho do campo verde,
estrada depois de estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.
(Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.)
Meus pés vão pisando a terra
que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!
(Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a flor é minha.)
Os meus passos no caminho
são como os passos da lua:
vou chegando, vais fugindo,
minha alma é a sombra da tua.
(Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.)
De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto.
Subo monte, desço monte,
meu peito é puro deserto.
(Eu ando sozinha
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.)
Cecília Meireles | "Canção da tarde no campo".
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1 comentario:
Usarei este poema em todos os meus caminhos. Os habituais e os desconhecidos.
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