Difícil depor um amor. Convencido de que a saída é assassiná-lo, o arqueiro toma posição. E ao sinal imperceptível de algum deus, dispara a flecha incendiária em direção ao sol.
Incêndio no céu. Tudo em fogo, fogo frio. Tua alma, Marina, ficará retida nalguma alfândega astral. Eu, macaco-da-noite, continuarei ouvindo a música das exferas. Vou riscar a nata da Via-Láctea. Arrematar a moça que mata com seus ossos azuis e seus pentelhos de prata. . Mas há também o impossível, Marina. Impossível dar conta de pé na ponta de mais um maio (depraved May, Christ the Tyger) de tantos ventos, raios, eventos. Não há tempo, Marina. O céu vai desabar. A mata celeste cairá sobre a minha cabeça. . Impossível, doce e dura criança, saber de todos os lugares. Algures, entre mulheres e jaguares, espectros esperam, corpos caem, esquinas esquecem. E é assim mesmo, Marina. Incêndio no céu. Tudo em fogo, fogo frio. . Afago a luz do quartzo. Escureço.
* . amor que parte o claro riso em querer desmedido e recusa insana . amor que me toma como um carrossel de sóis e um girassol de lâmpadas . vê se me alumia me esclarece me doma . ** . ) sim não simnão nim são sins ( . eis que não me sei ser menos que seis toda e cada vez . ) sim não simnão nim são sins ( . *** . amor que vence os tigres vê se vence a mim . e me arrasa e me ilumina . para que eu saiba saber o sim
Cava o passado. Cava e escava, escravo. Cava o chão do passado. . Erra na terra deserta. Vela a vila desaparecida. Deita na aldeia abandonada. Chora na cidade fantasma. . Mas cava, escravo. Cava e escava o passado. Cava a esmo no ermo. Cava o mesmo no mesmo. . (O alucinado sempre repetindo o filme; o criminoso sempre no local do crime.) . Lavra, sulca, escarva. . E assim até chegar ao carvão mais vivo do ébrio coração escândalo que brilho ainda resta: . uma chama na montanha, outro fogo na floresta.