domingo, 23 de abril de 2017

Montículos misteriosos de la Antártida

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Parábola

Pescadores retiraram uma garrafa das profundezas. Nela havia um papel e no papel estavam escritas estas palavras: "Gente, me salvem! Estou aqui. O oceano me jogou nesta ilha deserta. Estou na praia esperando ajuda. Se apressem. Estou aqui!".
Não tem data. Decerto já é tarde demais. A garrafa deve ter flutuado muito tempo no mar disse o primeiro pescador.
E não diz onde é o lugar. Não dá pra saber nem qual é o oceano disse o segundo pescador.
Não é nem tarde demais nem longe demais. A ilha Aqui está em toda parte disse o terceiro pescador.
Houve um desconforto. Fez-se silêncio. As verdades gerais têm isso.
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Wislawa Szymborska | "Parábola".
(Tradução Regina Przybycien)
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Alguns gostam de poesia

Alguns
ou seja nem todos.
Nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria.
Sem contar a escola, onde é obrigatório,
e os próprios poetas,
seriam talvez uns dois em mil.
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Gostam
mas também se gosta de canja de galinha,
gosta-se de galanteios e da cor azul,
gosta-se de um xale velho,
gosta-se de fazer o que se tem vontade,
gosta-se de afagar um cão.
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De poesia
mas o que é isso, poesia.
Muita resposta vaga
já foi dada a essa pergunta.
Pois eu não sei e não sei e me agarro a isso
como a uma tábua de salvação.
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Wislawa Szymborska | "Alguns gostam de poesia".
(Tradução Regina Przybycien)
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Medo do palco

Poetas e escritores.
É assim que se diz.
Logo, poetas não são escritores, então o quê
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Os poetas são poesia, os escritores são prosa
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Na prosa pode caber tudo, inclusive a poesia,
mas na poesia deve haver só poesia
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De acordo com o cartaz que a anuncia
com o floreio art nouveau de um P maiúsculo,
inscrito nas cordas de uma lira alada,
eu deveria entrar voando, não andando
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E não estaria melhor descalça
do que com esse sapato comum
batendo o salto, rangendo,
desajeitado substituto de um anjo?
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Se ao menos o vestido fosse mais longo, esvoaçante,
e os versos saíssem não da bolsa, mas da manga,
e versassem sobre a festa, o desfile, o sino solene,
dim dom
ab ab ba
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Mas lá no pódio já espreita uma mesinha,
meio de sessão espírita, com pés dourados,
e na mesinha esfumaça um castiçal
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De onde deduzo
que terei que ler à luz de velas
o que escrevi à luz de uma lâmpada comum
tac tac tac na máquina
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Sem me preocupar antes do tempo
se isto é poesia
e que poesia
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Se aquela na qual a prosa é malvista
Ou aquela que é bem-vista na prosa
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E que diferença é essa,
perceptível apenas na penumbra,
sobre o fundo de uma cortina bordô
com franjas violeta?
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Wislawa Szymborska | "Medo do palco".
(Tradução Regina Przybycien)
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Uma ideia

Me veio uma ideia
para um versinho? para um poema?
Está bem — digo — fique, vamos bater um papo.
Você tem de me contar mais sobre si mesma.
Ao que ela sussurra umas palavras ao meu ouvido.
Ah, então é isso — digo — interessante.
Faz tempo que estas coisas me pesam no peito.
Mas fazer versos sobre elas? Não, nem pensar.
Ao que ela sussurra umas palavras ao meu ouvido.
Isso é só impressão sua — respondo —
você superestima minhas forças e capacidade.
Não saberia nem por onde começar.
Ao que ela sussurra umas palavras ao meu ouvido.
Você se engana — digo — um poema curto e conciso
é muito mais difícil de escrever do que um longo.
Não me canse, não insista, não vai dar.
Ao que ela sussurra umas palavras ao meu ouvido.
Que seja, vou tentar, já que você insiste.
Mas já vou avisando do resultado.
Vou escrever, rasgar e jogar no cesto de lixo.
Ao que ela sussurra umas palavras ao meu ouvido.
Você tem razão — digo — decerto que há outros poetas.
Alguns farão isso melhor que eu.
Posso lhe dar os nomes, endereços.
Ao que ela sussurra umas palavras ao meu ouvido.
É claro que vou ficar com inveja deles.
Invejamos uns aos outros até os poemas medíocres.
É me parece que este precisa... que tem que ter...
Ao que ela sussurra umas palavras ao meu ouvido.
É isso, ter as características que você enumerou.
Portanto, melhor mudar de assunto.
Que tal um café?
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Ao que ela apenas soltou um suspiro.
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E começou a sumir.
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E sumiu.
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Wislawa Szymborska | "Uma ideia".
(Tradução Regina Przybycien)
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Vida difícil com a memória

Sou um péssimo público para a minha memória.
Ela quer que eu ouça sua voz incessantemente,
mas eu me agito, tusso,
ouço e não ouço,
saio, volto e saio de novo.
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Ela requer todo o meu tempo e atenção.
Quando durmo, é mais fácil para ela.
De dia já nem tanto, o que a magoa.
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Me propõe zelosamente velhas cartas, fotos,
revolve fatos importantes e desimportantes,
devolve a vista para paisagens ignoradas,
e povoa-as com os meus mortos.
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Nos seus relatos sou sempre mais jovem.
Isso é bom, mas por que sempre essa história?
Cada espelho me dá outras notícias.
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Irrita-se quando dou de ombros.
E então se vinga remexendo todos os meus erros,
graves, mas que já não pesam.
Me olha nos olhos, espera minha reação.
Por fim me consola; podia ter sido pior.
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Quer que agora eu viva só para ela e com ela.
De preferência num quarto escuro e fechado,
mas nos meus planos ainda figuram o sol presente,
as nuvens atuais, as estradas correntes.
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Às vezes fico farta de sua companhia.
Proponho nos separarmos. De hoje para sempre.
Então sorri com complacência,
sabe que também para mim seria uma condenação.
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Wislawa Szymborska | "Vida difícil com a memória".
(Tradução Regina Przybycien)
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Río Babel


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Toneladas pesan nada,
cuando sólo flotás sin más que pensar.
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Tu medicina


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despertar mojado
luego de sufrir
palizas
tiempo de sentir
que siempre habrá una cura
una nueva flor
caricias
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perfumar el aire
frente a lo peor
del trance
más que una razón
esa perla oscura
es fruto del dolor
y la duda
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una luz sin fin
esperando el trago amargo
tu medicina
amarga medicina
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abrazar lo tierno
hasta prescindir
del miedo
hasta revivir
más palabras tuyas
o sólo para oír
la brisa
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revisé tu abrigo
todo estaba ahí
tus cosas
todo sigue ahí
siempre estás tan cerca
nunca digo adiós
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besaré la cruz.
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Cómo nos estamos portando?

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Tablet

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JAJAJAJAJA!!!
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5 minutitos

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La hormona asesina: baile del caballo

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Evolución

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Infalible

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Perdidos

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Nenes


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El loco seré yo, porque
estoy mucho mejor que ayer.
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sábado, 22 de abril de 2017

Espejo

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Rombos

Esta música está hecha para volar: terrible versión.
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Cuando lee y ríe, a veces es la misma,
pero mucho más certera.
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Colores santos


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te extraño en las tardes
quizás no es amor lo que me hace buscarte
las decisiones siempre llegan tarde
las piezas que quedan jamás encajan
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viajando en la luz
te quiero abrazar un beso perfecto
envuelto en los sueños de inútiles noches
confusos recuerdos colores santos
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quizás no es amor
.
yo sé muy bien
jamás me entendiste y no lo pretendo
dulce es este viento sopla en mi corazón
arrastra olvidos y no regresan
.
quizás no es amor
.
cambiar las palabras mejor no jurar
promesas erradas
cambiar las palabras quizás no es amor
colores santos.
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Anotação

A vida única possibilidade
para se cobrir de folhas,
tomar fôlego na areia,
voar com asas;
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ser um cão
ou acariciar seu pelo quente;
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diferenciar a dor
de tudo que não é ela;
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imiscuir-se nos acontecimentos,
perder-se nas paisagens,
procurar o menor dentre os erros.
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Ocasião excepcional
para lembrar por um momento
do que se falava
junto à lâmpada apagada;
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e uma vez pelo menos
tropeçar numa pedra,
molhar-se em alguma chuva,
perder chaves na grama
e seguir com a vista uma fagulha no vento;
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e incessantemente não saber
algo de importante.
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Wislawa Szymborska | "Anotação".
(Tradução
Regina Przybycien)
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