martes, 6 de octubre de 2015

Lira romantiquinha

Por que me trancas
o rosto e o riso
e assim me arrancas
do paraíso?
.
Por que não queres,
deixando o alarme
(ai, Deus: mulheres!),
acarinhar-me?
.
Por que cultivas
as sem perfume
e agressivas
flores do ciúme?
.
Acaso ignoras
que te amo tanto,
todas as horas,
já nem sei quanto?
.
Visto que em suma
é todo teu,
de mais nenhuma,
o peito meu?
.
Anjo sem fé
nas minhas juras,
por que é que é
que me angusturas?
.
Minh'alma chove
frio, tristinho.
Não te comove
este versinho?
.
Carlos Drummond de Andrade | "Lira romantiquinha"..