jueves, 4 de junio de 2015

Abraço de gol


Chegar da ralação às 23h, colocar um uniforme para jogar bola com primo – noite afora enchendo o burraio e destruindo todas as plantas de mãe – até que, à meia noite e meia, pai sai gritando no quintal que “esse trem de bola nummais dando certo”. Pai não entende de rachão entre primos. Mãe sim, e até torceu muito. Nem ligou de a gente ter quase quebrado a máquina de lavar e sujado as roupas do varal. Não sei qual dos dois era a criança de oito anos, se primo ou eu. Só sei que os velhos tempos de Monte Azul inundaram a nova casa e que abraço de gol ainda continua sendo a melhor coisa que existe. Nessa noite o Rivotril ficou guardadinho lá no armário. Em tempo: mãe torceu muito... para primo. Não se fazem mais mães como antigamente.

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