lunes, 10 de agosto de 2015

cows in Art Class

good weather
is like
good women--
it doesn't always happen
and when it does
it doesn't
always last.
man is
more stable:
if he's bad
there's more chance
he'll stay that way,
or if he's good
he might hang
on,
but a woman
is changed
by
children
age
diet
conversation
sex
the moon
the absence or
presence of sun
or good times.
a woman must be nursed
into subsistence
by love
here a man can become
stronger
by being hated.


I am drinking tonight in Spangler's Bar
and I remember the cows
I once painted in Art class
and they looked good
they looked better than anything
in here. I am drinking in Spangler's Bar
wondering which to love and which
to hate, but the rules are gone:
I love and hate only
myself--
they stand outside me
like an orange dropped from the table
and rolling away; it's what I've got to
decide:
kill myself or
love myself?
which is the treason?
where's the information
coming from?


books. . . like broken glass:
I w'dn't wipe my ass with 'em
yet, it's getting
darker, see?


(we drink here and speak to
each other and
seem knowing.)


buy the cow with the biggest
tits 

buy the cow with the biggest
rump.


present arms.

the bartender slides me a beer
it runs down the bar
like an Olympic sprinter
and the pair of pliers that is my hand
stops it, lifts it,
golden piss of dull temptation,
I drink and
stand there
the weather bad for cows
but my brush is ready
to stroke up
the green grass straw eye
sadness takes me all over
and I drink the beer straight down
order a shot
fast
to give me the guts and the love to
go
on.



Charles Bukowski | "cows in Art Class".
.

7 comentarios:

Olavo Duarte dijo...

Estou começando a gostar de Bukowski. E encontrando boas traduções para os poemas dele. Você me indica algumas? Há alguma obra completa bilíngue por aí?

Olavo Duarte dijo...

tempo bom
é como
mulheres boas -
nem sempre acontece
e quando acontece
nem sempre
dura muito.
o homem é
mais estável:
se ele é ruim
há uma maior chance
de ele permanecer assim,
ou se ele é bom
ele pode continuar,
mas uma mulher
é mudada
pelos
filhos
idade
dieta
conversas
sexo
a lua
a ausência ou
presença do sol
ou bons tempos.
uma mulher deve ser cuidada
com a subsistência
do amor
onde um homem pode se tornar
mais forte
ao ser odiado.

Olavo Duarte dijo...

(...)
esta noite estou bebendo no Spangler’s Bar

e eu lembro das vacas

que pintei uma vez na aula de Arte

e elas pareciam boas

elas pareciam melhores que qualquer coisa

aqui.

eu estou bebendo no Spangler’s Bar

imaginando quem amar e quem

odiar, mas acabaram as regras:

eu amo e odeio apenas

a mim mesmo –

os outros estão além

como laranjas caídas da mesa

e rolando pra longe; é o que tenho que

decidir:


me matar ou

me amar?

qual é a traição?

de onde a informação

está vindo?


livros... como cacos de vidro:

eu não limparia o rabo com eles

e no entanto, está

escurecendo, vês?


(nós bebemos aqui e nos

falamos e parecemos saber.)


pinte a vaca com as maiores

tetas

pinte a vaca com o maior

traseiro


o balconista me joga uma cerveja

ela corre pelo balcão

como um velocista Olímpico

e o par de alicates que é minha mão

para-a, levanta-a,

dourada, estúpida tentação,

eu bebo e

fico ali

o clima ruim para vacas

mas meu pincel está pronto

pra acertar

o olho de palha na grama verde

a tristeza me toma

e eu bebo a cerveja direto

peço uma dose

rápido

pra me dar a coragem e o amor para

ir

adiante.





RABELO, Aline dijo...

O Carlinhos é bacana mesmo, Olavo.
Vou te mandar no e-mail algum material dele, talvez você goste!
Beijo.

Olavo Duarte dijo...

Acabo de receber um tantão de coisas do Bukowsky no meu email. Puxa vida! Vou virar um bukowskiólogo...

Olavo Duarte dijo...

Que poema maravilhoso esse, olha só. Chama-se "Cometi um Erro"

(...) "depois disso ela se foi e não a vi
desde então. não está na sua casa.
continuo passando por lá, enfiando bilhetes
debaixo da porta. volto ali e os bilhetes
continuam intocados. arranco a cruz de Malta
do retrovisor do meu carro e a amarro
com um cadarço à sua maçaneta, deixo
um livro de poemas.
ao retornar na noite seguinte tudo
continua ali.

continuo rondando as ruas em busca
daquele encouraçado cor-de-vinho que ela dirige
com uma bateria fraca, e as portas
pendendo das dobradiças estropiadas.


circulo pelas ruas
a um passo de chorar,
envergonhado de meu sentimentalismo e
possível amor.

um homem velho e confuso dirigindo na chuva
perguntando-se onde a boa sorte foi
parar."


O amor é um cão dos diabos (2007, pag. 195).

RABELO, Aline dijo...

Bacana demais essas traduções suas, Olavo. Obrigada.