jueves, 13 de octubre de 2016

Déjeuner du matin


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Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
.

Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
.

Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie

Sans une parole
Sans me regarder
.
Et moi j'ai pris
Ma tête dans ma main

Et j'ai pleuré
               .
"Déjeuner du Matin"
, Jacques Prévert.
.

2 comentarios:

Olavo Duarte dijo...

Aline, em agosto de 2008 (oito anos atrás!) escrevi esse microconto inspirado na obra de Prevert.

CAFÉ DA MANHÃ

Brigamos ontem. Pretexto: ciúme. Motivo real: o amor não veio, quando nos mudamos para viver juntos. Brigamos e agora você não me olha e nada me diz. Como se não me quisesses mais, como se isso fosse mesmo verdade. Você pega a xícara de café que eu preparei mais cedo, porque eu não dormi. Você sim, dormiu como uma criança. Velei teu sono e, em teu sono, você me pediu desculpas. Você fala muito durante os sonhos, e muitas vezes conta segredos escabrosos. Sei de tudo mas não vou te dizer que eu sei. Afinal, você não está falando comigo. Você pega a xícara, derrama dentro dela o café, mexe com a colherzinha e toma despreocupadamente as minhas lágrimas misturadas com açúcar e com afeto. Das notícias do jornal, você folheia distraída os episódios do dia anterior, sem se recordar que ontem nós brigamos por causa daquela outra. Não te interessam mais as minhas novidades, não ficaste sabendo que meus versos foram publicados naquela revista da faculdade, porque antes de eu te contar você cismou que fulana tinha me paquerado na mesa do bar e deu seu espetáculo. Desde ontem você cismou de não me olhar e não me falar. Mordes o pão com manteiga e eu como o pão que o Diabo não quis comer. Seu desjejum é frugal e eu morto de fome de você. Você me deixa faminto quando se levanta, veste a capa de chuva e sai. Sem me ver e sem me falar. Enquanto isso, me deixas aqui chorando.
Até mais tarde. Vou esperar você com o jantar.

RABELO, Aline dijo...

Muito bom! :)