sábado, 23 de enero de 2016

Ver claro

Toda a poesia é luminosa,
até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.


Eugénio de Andrade | "Ver claro".
.

2 comentarios:

Olavo Duarte dijo...

E, graças a Deus, eu cheguei aqui e aqui voltei várias vezes. Não tem mais névoa. Hoje está claro.

RABELO, Aline dijo...

:D