Toda a poesia é luminosa,
até
até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.
Eugénio de Andrade | "Ver claro".
.
2 comentarios:
E, graças a Deus, eu cheguei aqui e aqui voltei várias vezes. Não tem mais névoa. Hoje está claro.
:D
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